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500 anos da Utopia de Thomas Morus



Quando em 1516 o inglês Thomas Morus publicou Utopia, descrevendo a ilha-reino imaginária de mesmo nome — aquela que seria “a melhor das Repúblicas” — logo obteve sucesso de público. Para batizar esta sociedade, criou uma nova palavra, o neologismo “ou-topia”, articulando as palavras gregas “où”, não, e “tópos”, lugar, o não lugar ou o lugar feliz, graças à sua dupla etimologia. Com o transcorrer do tempo, convertida em clássico, a obra tornou-se muito mais que “apenas” uma importante peça literária, mas um marco fundacional para o pensamento político e filosófico ocidental.

124 anos de Walter Benjamin



Em 15 de julho de 1892, nasceu em Berlin Walter Benjamin, numa família de comerciantes judeus. Considerado um dos maiores pensadores do século XX, foi filósofo, ensaísta, tradutor e crítico literário. Sua obra é responsável por uma concepção dialética e não evolucionista da história.

Benjamin foi um “outsider” na academia, teve uma vida marcada por dificuldades de toda ordem, e no final dela, passou pelas agruras geradas pela ascensão do fascismo na Europa - agruras estas que o levaram a cometer suicídio em 1940, ao tentar cruzar a fronteira da França com a Espanha, buscando fugir do avanço nazista. A maior parte do trabalho de Benjamin foi publicada somente após sua morte. O reconhecimento e difusão de sua obra se daria lentamente ao longo das décadas seguintes, lhe conferindo o atual status de reconhecimento, jamais atingido em vida.

O amor impiedoso de Slavoj Žižek


Falar sobre "Amor" parece um tema, uma premissa, pouco afeita a uma problematização que extrapole o subjetivo, quando não caindo no campo do piegas. Por outro lado, a partir do amor, pode-se chegar a uma dimensão indissociável do próprio ato de amar: a crença. Como amar sem crer no que se ama?

O filósofo esloveno Slavoj Žižek em seu livro O amor impiedoso (ou: Sobre a crença), lançado no Brasil pela Autêntica Editora, analisa esta relação da crença em nossa sociedade. Publicado simultaneamente na Alemanha e na Inglaterra como Die gnadenlose Liebe (O amor impiedoso) e como On belief (Sobre a crença), respectivamente, é uma instigante abordagem sobre os mecanismos do credo e sua força.


Violência de Slavoj Žižek


O filosofo esloveno Slavoj Žižek está longe de ser uma unanimidade, assim como sua reconhecida popularidade. Em seu pensamento radical, onde sua crítica ao capitalismo se utiliza principalmente da filosofia marxista hegeliana e da psicanálise lacaniana, busca escrutinar as contradições do sistema para além do aparente. A sua peculiar escrita, onde anedotas e passagens de filmes Hollywoodianos são largamente utilizados para ilustrar suas ideias, compõem um raciocínio original que muitas vezes não se apresenta de forma linear ou evidente. Emoldurado em momentos de brilhantismo, com afirmações polêmicas e polissêmicas (e até mesmo errôneas), ler a Žižek é sempre desafiador.

No livro Violência – seis reflexões laterais, publicado pela editora Boitempo, Žižek aborda a questão de como a violência, para além de suas manifestações socialmente condenadas, é parte estrutural do próprio sistema capitalista. Recordando a George Orwell quando este afirma que “As pessoas dormem tranquilamente à noite porque existe homens brutos dispostos a praticar violência em seu nome”, o autor desenvolve uma análise que busca compreender o fenômeno da violência para além de suas manifestações ostensíveis.