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Sobre o silêncio nas ruas brasileiras


A agenda do golpe segue implacável. Com a banalização quase diária de escândalos do já decrépito governo Temer, a retirada de direitos da população segue sendo sua única tábua de salvação. O apoio dos grandes detentores de capital a chamada agenda de "reformas", no entanto, não é o suficiente para garantir ou explicar a continuidade do governo.

Neste cenário, onde todos os setores populares, de uma forma ou de outra , está sendo vitima direta desta agenda, a atual letargia dominante no Brasil não deixa de causar espanto. Muitos se perguntam, como as pessoas ainda não se revoltaram? Como o país ainda não está em chamas?

8 de março: em busca da memória perdida





8 de março, dia Internacional da Mulher. Muitos mitos e distorções se construíram ao longo dos mais de 100 anos em que esta data é marcada para registrar a luta das mulheres por igualdade ao redor do mundo. Mas em momentos como este se faz fundamental que se resgate e se recupere o sentido das coisas, ainda mais quando ocorrem processos de mitificação que visam desviar o sentido original de determinados processos. Com o 8 de março ocorre exatamente isso. O mercado, sempre atento a possibilidade de maiores lucros, tenta (e muitas vezes com sucesso), converter esta data em mais um momento de ampliar negócios e com isso, colabora na tentativa de apagar o sentido de luta que envolve a data.


Senado aprova PEC do teto em mais um dia de vergonha nacional


O roteiro já vinha sendo anunciado pelo governo e demais setores aliados, mas muitos ainda acreditavam que ele poderia ser alterado, face a crescente mobilização social e a denúncia dos efeitos regressivos que a PEC 55 - chamada como PEC do Teto - provocará para o futuro país. Indiferentes a qualquer clamor social, o Senado aprovou em primeiro turno, por 61 votos a 14, a PEC do Teto.

A proposta, que institui o "Novo Regime Fiscal", foi apresentada em junho pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e se for aprovada ainda este ano como pretende o governo, terá tramitado em tempo recorde no Congresso, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). A ausência de qualquer pressuposto democrático de discussão envolvendo o projeto, tem sido a tônica.


O caráter antipopular dos atuais mandatários do poder se sobressai, amparada a partir de uma percepção de que estariam imunes e blindados a qualquer crítica, por contarem com o apoio majoritário do capital financeiro e da mídia empresarial.

Muito simbólico disso o fato do Congresso votar uma medida de 20 anos de cortes nos investimentos públicos em um dia de luto nacional pela tragédia envolvendo a equipe de futebol da Chapecoense, e ainda manterem a votação isolados por bombas e aparato militar.

29 de novembro já fica marcado como mais um dia de vergonha nacional envolvendo o Senado Federal.

Na Índia, a maior greve geral do mundo: 180 milhões cruzaram os braços


No dia 2 de setembro, notícias esparsas se espalhavam sobre a maior greve geral que já havia ocorrido no continente asiático. Alguns dias depois, vieram os números: 180 milhões de trabalhadores paralisaram seus trabalhos e cruzaram os braços na Índia. Trata-se da maior paralisação da classe trabalhadora no mundo de que se tem notícia.


Os líderes dos sindicatos indianos são reticentes a dizer quantas pessoas fizeram greve em 2 de setembro de 2016. Simplesmente não podem dar um número exato. Mas asseguram que a greve - a 17ª greve geral desde que a Índia adotou a sua nova política econômica em 1991 - foi a maior de sempre.

Os grandes meios de comunicação – que não são partidários de greves - informaram que o número de grevistas superou os 150 milhões de trabalhadores. Vários jornais apontaram que 180 milhões de trabalhadores indianos abandonaram o trabalho. Se foi assim, trata-se da maior greve geral da história de que há notícia.

Fora da legalidade só resta a desobediência civil


FORA TEMER!

Um chamado que tem ganhado cada vez mais força no país.  Um político impopular que pretende levar a cabo uma política ainda mais impopular. As ruas voltaram a pulsar, milhares foram aos primeiros protestos contra o governo ilegítimo.

Banksy, o mundialmente conhecido artista inglês, cuja identidade real se desconhece, serve de inspiração para a arte que ilustra este post, nesta livre adaptação.

Tempos de golpe são tempos de legalidade suspensa. Onde o direito vigente passa a ser o direito do mais forte. Onde o arbítrio passa a ser a norma. O Brasil caminha para uma situação perigosa, onde as liberdades individuais e coletivas podem entrar em xeque, ameaçadas por um governo ilegitimo.

México: violenta repressão contra professores deixa 6 mortos



A tensão social no México tem atingido dimensões cada vez mais dramáticas. Um novo capítulo desta travessia turbulenta foi no estado de Oaxaca, no sul do México, onde cinco professores e um jornalista morreram, além de um saldo de dezenas de feridos, após uma violenta repressão policial contra manifestação dos professores em greve.

Golpistas dizem que a luta terminou. Nós dizemos: ela apenas começou



O afastamento da presidenta Dilma pelo Senado é um claro ato de usurpação do poder por setores políticos derrotados nas urnas. A violação da vontade popular é inegável. Os resultados desta ruptura democrática serão penosos e de longa duração.


Uma derrota, por mais dolorida e cruel que seja, não encerra a história. A luta seguirá.

Parafraseando Bretch, nossos inimigos dizem: a luta terminou. Mas nós dizemos: ela apenas começou.

Neste momento, esta é nossa única certeza: jamais conseguirão calar as lutas populares neste país.

20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás



Há 20 anos policiais militares a mando do governo paraense executavam 21 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na Curva do S, na estrada que liga Marabá a Eldorado dos Carajás.

A covardia das elites naquele massacre foi tamanha, que fica simbolizada na primeira vítima a tombar. O primeiro a ser atingido pela polícia foi um camponês surdo-mudo, Amâncio dos Santos. Os demais sem-terra correram para socorrê-lo. Foram fuzilados – pelas costas inclusive.

O assassinato dos Sem Terras é um crime contra a democracia


O covarde assassinato de dois integrantes do MST no Paraná é uma amostra do que está por vir se o golpe for vitorioso. Sem ter mais o constrangimento das leis, o conservadorismo mais reacionário deste país parte para uma ofensiva criminosa contra os lutadores e lutadoras deste país. O derramamento de sangue já começou.

MST aponta o início de um novo período histórico da luta de classes



Um novo período histórico a cada dia avança no Brasil, seus sinais titubeantes foram paulatinamente ganhando novo impulso até firmar-se como uma questão incontornável. As causas que o impulsionam, as variáveis e suas perspectivas devem ser profundamente debatidos e enfrentado pelo conjunto da esquerda no país, mas é um fato inegável que os equívocos políticos do segundo governo Dilma os precipitaram e colocaram a conjuntura numa virada profundamente regressiva.

A sensação de muitos é que a ofensiva conservadora encontrou uma esquerda desarmada, desarticulada e despreparada para um revés tão acelerado e desta magnitude. Mas ainda estamos longe de afirmar que o jogo já está jogado e seu placar definido. Temos elementos suficientes para encontrar saídas que recuperem o protagonismo da esquerda brasileira. Se é verdade que tais elementos estão postos, por outro, não é mais possível prorrogar esta recuperação das lutas populares no país. Este é o diagnóstico que muitos setores começam a apontar., entre eles o Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).