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O 'tudo é criticável, mas nada é mutável' que impera no mundo atual


Em tempos de hegemonia neoliberal, o conformismo paralisante funciona como uma regra dominante. A crítica e algum nível de revolta é até permitido, desde que não ultrapasse certos limites implicitamente impostos. O maior destes limites é a própria lógica do capital, tida como eterna e impossível de ser enfrentada. Para se superar as lógicas capitalistas é preciso enfrentar a crença de que tudo merece crítica – mas não vale a pena engajar-se, porque nada mudará.


Capitalismo em crise e o declínio do trabalho


Por Immanuel Wallerstein


A ideologia neoliberal dominou o discurso político, em termos globais, nos primeiros quinze anos do século. O mantra era: a única política viável para os governos e movimentos sociais era dar prioridade para algo chamado “o mercado”. A resistência a esta crença tornou-se mínima, porque mesmo os partidos e movimentos que se consideravam de esquerda – ou ao menos à esquerda do centro – abandonaram sua ênfase traducional em medidas de Bem-estar Social e aceitaram a validade desta posição, orientada pra o mercado. Argumentavam que só era possível, quando muito, amenizar seu impacto, mantendo uma pequena parte das redes de segurança históricas que os Estados haviam construído ao longo de mais de 150 anos.

Era Macri eleva pobreza na Argentina a níveis alarmantes



O presidente da Argentina Maurício Macri se apresentou nas eleições como alguém decidido a tomar medidas que rapidamente recuperassem a economia de seu país. Chegou até mesmo a lançar como uma de suas principais bandeiras de campanha a ousada promessa de que ao termino de seu mandato alcançaria a "pobreza zero" no país.

Ele de fato rapidamente tomou uma série de medidas que abrangeram um amplo espectro da economia argentina, no entanto, passado os primeiros meses de governo, seus resultados não são nada animadores.  Não bastasse a sonhada (e prometida) reação econômica não dar ainda nenhum sinal positivo, a “pobreza zero” avança na direção oposta.

A Argentina vive um acentuado e veloz processo de empobrecimento generalizado da população, como poucas vezes se viu no mundo, fora países em situação de guerra. Os dados são alarmantes e apontam que milhões de argentinos viram sua situação deteriorar-se para níveis de pobreza extrema.

Entre o fujimorismo e o neoliberalismo: o Peru, no fio da navalha


2016 foi palco de uma acirrada disputa eleitoral pela presidência do Peru. No segundo turno, os eleitores peruanos estiveram em uma dura encruzilhada: ou um regresso ao fujimorismo ou ao neoliberalismo, representados nos candidaturas de Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski, respectivamente. Em meio a estas tenebrosas alternativas, o povo peruano optou por Kuczynski, por uma estreita margem de votos, a menor já registrada em uma eleição na América Latina. No entanto, esta frágil vitória não derrotou o  fujimorismo, que poderá vir a assumir o poder de fato.

Mesmo em um cenário tão adverso, o Peru presenciou uma renovação da esquerda, com a candidatura de Verónika Mendoza, da Frente Ampla. Sua campanha surpreendeu e por uma pequena margens de votos não foi para o segundo turno contra a Fujimori, O cenário político peruano que se desenha pós-eleições deverá ser turbulento e de transição para uma nova conjuntura aberta de possibilidades, muitas delas nada animadoras.

Democracia e Capitalismo: divórcio definitivo


Democracia e Capitalismo caminham para um divórcio definitivo. A forma como os processos decisórios fundamentais são paulatinamente retirados do Estado, têm reduzido a influência do povo nas decisões e fragilizado profundamente as instituições democráticas. Este é um processo que em maior ou menor medida tem se espalhado de forma quase irrefreável ao redor do mundo.

Muitos analistas, em diferentes áreas do conhecimento, tem desenvolvido elementos consistentes que apontam para um processo onde a democracia passa a ser um elemento secundário, se não até mesmo indesejável na atual fase do capitalismo. Um dos bons trabalhos que ilustram esta dinâmica é do sociólogo alemão Wolfgang Streeck em seu livro "Hora de comprar - A crise atrasada do capitalismo democrático", ainda inédito no Brasil. Nele Streeck expõe alguns dos mecanismos que permitiram à aristocracia financeira controlar o Estado e a mídia. Qual a saída possível? Assumir esta separação e pensar numa política livre do capital.

Brasil vive uma contra-revolução neoliberal?



O Brasil passa por um inegável momento de desestabilização democrática e de ruptura institucional com o avanço da consumação do golpe do impeachment. O governo Temer promete levar a cabo uma agenda pró-mercado que caso seja plenamente executada, promoverá mudanças sociais regressivas como nunca foi visto até então no país. 

Mas qual a real natureza deste processo? Trata-se de um fenômeno restrito ao Brasil? Não será a crise brasileira um grave momento que se insere dentro de uma lógica mais ampla de uma nova fase do neoliberalismo? Nesta direção que aponta Juarez Guimarães, cientista político e professor da UFMG, em suas Nove teses sobre a contra-revolução neoliberal. 

"O que está se organizando é um novo regime de organização do poder e de direitos que se propõe a substituir o regime nascido da Constituição de 1988."  


O neoliberalismo e a esquerda do século XXI


Vivemos tempos onde o discurso hegemônico no mundo se apresenta com uma incontornável aspiração a um triunfalismo irredutível. O mais paradoxal é que, a despeito desta narrativa apologética do pensamento único, o mundo está longe de viver tempos de prosperidade. Velhos problemas permanecem sem solução - ainda que por ventura com novas feições - e novos desafios surgem a todo instante, colocando a humanidade em uma dura encruzilhada. Em um momento como este, a busca de alternativas se fazem urgente, talvez, mais do que nunca, é o momento da esquerda recuperar uma capacidade ofensiva. Necessitamos de um movimento contestatório de grande escala, capaz de recuperar a possibilidade de mudanças sociais profundas e duradouras.

Os sentidos da vitória de Macri na Argentina


A vitória de Maurício Macri nas eleições presidenciais argentinas, derrotando o candidato peronista Daniel Scioli, além da interrupção de mais de uma década de kirchnerismo no poder, pode representar um ponto de virada na conjuntura política da Argentina. Algumas certezas e indicativos claros já se apresentam, mas quais serão seus desdobramentos e em que medida Macri terá condições de implementar a sua agenda e consolidar uma nova hegemonia política ainda é uma grande incógnita.

O longo período de dificuldades econômicas, agravado durante o final do mandato de Cristina Kirchner, fomentou um ambiente favorável para o crescimento de um discurso mudancista de oposição. Mas longe de representar uma "grande onda" a varrer o  kirchnerismo e os setores populares do poder institucional argentino, a composição de parlamento eleito com maioria peronista, indicam uma possível continuidade de uma polarização política que poderá ter importantes desdobramentos.

As primeiras medidas anunciadas pelo recém-empossado presidente Macri são um bom indicativo do que está por vir e podem ser decisivas.