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A dignidade como arma contra a intolerância
Os tempos de intolerância radicalizada em que o Brasil passa deixarão suas cicatrizes profundas. Toda a carga de ódio emulada nas ruas cobrará um custo social elevado. Não é possível mais encontrar um ponto de retorno, o perverso caminho aberto pelo sectarismo obscurantista fragiliza ainda mais as débeis instituições democráticas que até então regularam a sociedade brasileira.
A consumação do golpe dará o folego necessário para que o ódio de classe se converta em uma política de Estado, com pretensões hegemônicas totalitárias. Caracterizar o que ocorre no Brasil como uma contrarrevolução não é nenhum exagero.
Homofobia e hipocrisia
Todas as manifestações de preconceito estão assentadas sob o véu da mentira. Com origens e gradações variadas, o preconceito só se estabelece a partir de uma ilusão fabricada que identifica no outro a síntese das imperfeições e malefícios, em oposição a uma pureza e justeza exclusiva daqueles que combatem o diferente. Entre toda a ampla gama de manifestações de intolerância presentes na sociedade, a homofobia é seguramente aquela que está mais intimamente ligada a hipocrisia.
O atentado de 12 de junho na boate gay Pulse, em Orlando (EUA), que deixou um saldo de 50 mortos no pior massacre em solo norte-americano desde o 11 de setembro, gerou uma esperada comoção mundial. Infelizmente, ao lado de toda a justa solidariedade frente a tragédia, tivemos também uma onda hipócrita de relativização do ocorrido, tentando negar o caráter de homofobia do crime ou ainda, de forma mais isolada, até mesmo imputar as vítimas algum tipo de responsabilidade pela tragédia.
Nada pode ser mais hipócrita do que isso!
Antipetismo transformou-se em novo fascismo
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| Pichação em frente a casas de petistas nas ruas do centro de Vitória |
Março de 2016 possivelmente será lembrado daqui alguns anos como o momento em que um "novo fascismo" transbordou, saiu do armário e ganhou corpo, convertendo-se em um fenômeno social incontrolável. A divergência política transmutou-se em intolerância e ódio de forma ampla, disseminada por todo o país, sem um centro político, de forma difusa, onde a violência passa a ser o instrumento privilegiado de ação. Violência em todas as suas formas, desproporcional e não restrita.
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A maldade e o ódio das "pessoas de bem"
É difícil não se
espantar com as frequentes demonstrações de ódio que as
autodenominadas "pessoas de bem" tem manifestado
recorrentemente em nosso país. Não deixa de ser um bizarro paradoxo
que todo o “cidadão de bem” não exite ou vacile em praticar
toda a forma de maldade em atos marcados pela desumanidade e a
intolerância, que não raras vezes, descambam para a violência pura
e gratuita.
A mais recente e
patética destas manifestações ocorreu por ocasião do nascimento
do neto da presidenta Dilma em Porto Alegre. Um pequeno grupo
resolveu demonstrar todo o seu “senso cívico” e foram protestar
em frente a maternidade em que o bebê nasceu. Tenho que confessar
ser quase impossível não se entristecer um pouco ao ver que o
simples nascimento de uma criança pode se transformar em mais uma
oportunidade de demonstração pública de ódio.
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