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Venezuela: Leituras urgentes desde o Sul
O livro Venezuela: Leituras urgentes desde o Sul é um significativo esforço, empreendido por diversos renomados acadêmicos identificados com a esquerda na América Latina para um esforço de síntese sobre atual crise aguda que enfrenta a Revolução bolivariana sob comando de Nicolás Maduro.
2016 e o golpismo no Brasil e na Venezuela
No ano de 2016, houve duas tentativas declaradas de golpe na América Latina: uma no Brasil e outra na Venezuela.
Ambas surgiram como fruto de processos políticos que desenrolam-se já há alguns anos, não frutos de excepcionalidades que abateram-se de forma inesperada neste ano. Não apenas por dinâmicas locais, ainda que estas sejam importantes para entender o desfecho destinto de cada país, a crise econômica foi um fator importante para alimentar as forças golpistas de cada país. Apoios externos houveram, com importância ainda não mensurável, pela ausência de informações.
No caso brasileiro, não só o golpe teve sucesso como o país caminha de forma acelerada para uma verdadeira tragédia social. A agenda de supressão de direitos e de redução do Estado irá provocar regressões de todo o tipo, isto somado ao arbítrio e o caos orquestrado pelas elites promotoras do golpe, prometem levar o país a uma instabilidade aguda, de imprevisível desenrolar.
Na Venezuela, o golpe foi por hora frustrado, mas a situação social do país está longe de ser animadora. Ainda assim, a manutenção do poder presidencial com Maduro pode permitir uma melhor condição de recuperação no médio prazo, ainda que em bases instáveis.
Fidel: Uma história que não pode ser escrita com palavras
Por João Pedro Stedile
Perdemos Fidel. Ganhamos uma história de exemplos e de sabedoria.
A história de Fidel é indescritível, não podemos descrever apenas com palavras. Então gostaria apenas de dar um testemunho.
Ele usou toda sua sabedoria, conhecimentos, liderança e dedicação para construir, ao longo de 60 anos, um povo unido e organizado, que se transformou imbatível, enfrentando as forças econômicas e militares mais poderosas do século 20: o capital dos Estados Unidos.
Fidel Castro: a morte de um não-alinhado
"Hoje partiu o homem que protagonizou a revolução mais ousada e corajosa da história americana.
Filho de um dos três dos maiores proprietários de terras em Cuba e estudante de Havard, este homem poderia ter compactuado com o cassino para turistas milionários estadunidenses que Cuba, sob o comando do ditador Fulgêncio Batista, transformara-se.
Cuba foi o único país latino-americano a compor o Movimento dos Não-alinhados, liderando o discurso terceiro-mundista e projetando globalmente uma pequena ilha como resistência à mudança do império europeu para o estadunidense.
Congresso chileno declara Pinochet oficialmente como ditador e terrorista de Estado
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| Arte de Chico Caruso |
A Câmara dos Deputados chilena aprovou uma resolução que declara oficialmente a Augusto Pinochet como “ditador e artífice de um aparato terrorista do Estado”. O texto da resolução também descreve o líder do golpe de Estado de 1973 como “autor intelectual do premeditado e aleivoso assassinato do ex-chanceler Orlando Letelier”.
O golpe contra Salvador Allende
11 de setembro de 1973, o dia em que o presidente do Chile, Salvador Allende, sofreu um golpe de estado, perdendo a vida e levando o país a longos e penosos anos de ditadura militar, comandada pelo General Augusto Pinochet. O golpe chileno, como tantos outros, não ocorreu de forma inesperada, como um único ato de força, pelo contrário, houveram antecedentes decisivos para que se viabiliza-se o golpe, permitindo o seu sucesso.
Allende foi o primeiro presidente influenciado pelas ideias marxistas a ser eleito democraticamente. Representava uma alternativa pacífica para a conquista do poder e de busca de por uma transição gradual para o socialismo. A pioneira tentativa de um socialismo democrático foi violentamente derrotada por uma aliança de setores que promoveram e apoiaram o golpe. A morte de Allende representou o fim da democracia chilena, desembocando em uma sangrenta ditadura que promoveu a primeira experiência de políticas econômicas neoliberais em uma nação.
Crise e descaminhos no Mercosul
O ano de 2016 parece marcar o início de um ponto de virada nos rumos da integração sul-americana. O Mercosul, principal espaço institucional e de integração econômica na região, que vinha trilhando nos últimos anos uma rota de ampliação de sua área de influência e de busca de uma integração local efetiva, apresenta fortes sinais de que poderá rumar para um estágio regressivo que desvirtuará as potencialidades que uma possível integração soberana vislumbrava.
A ascensão de Macri na Argentina e de Temer no Brasil e as primeiras medidas que suas diplomacias têm executado com relação ao Mercosul, apontam para uma busca obstinada em reorientar o processo de integração que vinha sendo construído nos últimos anos. O fato mais notável é a movimentação que os dois países, aliados ao Paraguai, protagonizam para impedir que a Venezuela assuma a presidência temporária do bloco, como previsto pelas regras do Mercosul, provocando uma crise diplomática de grandes proporções.
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Cuba gasta 54% do seu orçamento com saúde e educação. Brasil não chegará a 8%
Sem dúvida a ilha cubana tem muitos problemas e desafios a serem superados, não é sob nenhuma hipótese um "paraíso na terra", como alias, nenhum lugar é. No entanto, não tem como não admirar e reconhecer os avanços sociais promovidos por um estado que tem como prioridade no uso dos recursos públicos com os cuidados básicos para sua população e não com o rentismo e o capital financeiro.
Ministra de Finanças e Preços de Cuba, Lina Pedraza, informou durante sessão plenária do Sétimo Período Ordinário de Sessões da Assembleia Nacional do Poder Popular, que 54% do orçamento do estado cubano foram aplicados em saúde e educação em 2015.
Para efeitos de comparação, o Brasil não chega a metade deste valor e poderá piorar ainda mais....
Era Macri eleva pobreza na Argentina a níveis alarmantes
O presidente da Argentina Maurício Macri se apresentou nas eleições como alguém decidido a tomar medidas que rapidamente recuperassem a economia de seu país. Chegou até mesmo a lançar como uma de suas principais bandeiras de campanha a ousada promessa de que ao termino de seu mandato alcançaria a "pobreza zero" no país.
Ele de fato rapidamente tomou uma série de medidas que abrangeram um amplo espectro da economia argentina, no entanto, passado os primeiros meses de governo, seus resultados não são nada animadores. Não bastasse a sonhada (e prometida) reação econômica não dar ainda nenhum sinal positivo, a “pobreza zero” avança na direção oposta.
A Argentina vive um acentuado e veloz processo de empobrecimento generalizado da população, como poucas vezes se viu no mundo, fora países em situação de guerra. Os dados são alarmantes e apontam que milhões de argentinos viram sua situação deteriorar-se para níveis de pobreza extrema.
Golpe no Brasil: Genealogia de uma farsa
Como o Brasil chegou uma situação onde um golpe contra democracia pôde ser efetuado e parcialmente exitôso? Mais do que isso, quais são as perspectivas políticas que se abrem a partir desta situação no país? O golpe em curso no Brasil se construiu a partir de um ardil farsesco para destituir uma presidenta legitimada pelo voto democrático. Para enfrentar esta situação, compreender a genealogia desta farsa é uma tarefa imprescindível.
Para auxiliar neste esforço, o Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO) em parceria com a Octubre Editorial lançou o livro Golpe en Brasil: Genealogia de una farsa, um importante lançamento que reuni uma série de textos escritos entre abril e junho de 2016, durante o período em que se deu o inicio do processo de destituinte da presidenta Dilma Rousseff.
O acordo de paz entre as FARC e a Colômbia
Em tempos onde as boas notícias são cada vez mais escassas, o anúncio do acordo de cessar-fogo bilateral e definitivo entre o governo da Colômbia e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), deve ser celebrada, pois surge quase como um raio de sol em meio as nuvens cinzas nos céus de uma conjuntura internacional nada animadora.
Uma paz que muitas vezes pareceu improvável, consegue agora dar um decisivo passo para sua realização plena, após este anúncio histórico. Após mais de 50 anos de guerra, o conflito armado mais longo das Américas chega ao seu fim após deixar seis milhões de pessoas refugiadas, mais de 200.000 mortos e 45.000 desaparecidos, em números aproximados.
México: violenta repressão contra professores deixa 6 mortos
A tensão social no México tem atingido dimensões cada vez mais dramáticas. Um novo capítulo desta travessia turbulenta foi no estado de Oaxaca, no sul do México, onde cinco professores e um jornalista morreram, além de um saldo de dezenas de feridos, após uma violenta repressão policial contra manifestação dos professores em greve.
Entre o fujimorismo e o neoliberalismo: o Peru, no fio da navalha
2016 foi palco de uma acirrada disputa eleitoral pela presidência do Peru. No segundo turno, os eleitores peruanos estiveram em uma dura encruzilhada: ou um regresso ao fujimorismo ou ao neoliberalismo, representados nos candidaturas de Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski, respectivamente. Em meio a estas tenebrosas alternativas, o povo peruano optou por Kuczynski, por uma estreita margem de votos, a menor já registrada em uma eleição na América Latina. No entanto, esta frágil vitória não derrotou o fujimorismo, que poderá vir a assumir o poder de fato.
Mesmo em um cenário tão adverso, o Peru presenciou uma renovação da esquerda, com a candidatura de Verónika Mendoza, da Frente Ampla. Sua campanha surpreendeu e por uma pequena margens de votos não foi para o segundo turno contra a Fujimori, O cenário político peruano que se desenha pós-eleições deverá ser turbulento e de transição para uma nova conjuntura aberta de possibilidades, muitas delas nada animadoras.
Todos contra Nicolás Maduro
O agravamento das crises políticas e econômica na Venezuela tem ganhado os olhares apreensivos ao redor do mundo. A expectativa de qual será o caminho possível para o conturbado cenário atual tem muitas vezes apontado para análises apressadas e muitas vezes enviesadas, onde se observa uma verdadeira campanha internacional tendo por alvo único ao presidente Nicolás Maduro.
Explicita ou implicitamente, busca-se consolidar uma ideia de que a solução para todos os impasses passaria pela queda de Maduro da presidência venezuelana. Este tipo de expediente já foi largamente utilizado ao longo de todo o período que Hugo Chávez esteve à frente da Revolução Bolivariana. Agora soma-se um peculiar exercício retórico que aponta que Maduro não teria as mesmas qualidades de liderança que seu antecessor. Curiosamente, são praticamente as mesmas vozes que, assim como antes pediam a saída de Chávez, agora pedem a saída do presidente Maduro.
O sorriso de Pancho Villa
A América Latina coleciona em sua história um número incontável de figuras marcantes e emblemáticas das lutas sociais no continente. Em sua história, desde que esta região do planeta foi assaltada pela empresa do colonialismo europeu; passando pelos processos de independência e de formação de sua identidade; chegando a resistência ao imperialismo contemporâneo e sua permanente busca, por vezes errática, de caminhos autônomos; não faltaram na América Latina, em todos estes períodos, figuras que de alguma forma simbolizaram aspirações, lutas e transformações. Rebeldes que em seus tempos tornaram-se figuras populares, simbolicamente inspiradoras, que ao lado de personagens anônimos e "esquecidos" pela grande narrativa historiográfica, produziram significativas transformações sociais.
A Revolução Mexicana é um dos ricos momentos da história latino-americana, a primeira revolução social do século XX, onde Pancho Villa emerge como um de seus personagens mais marcantes e lembrados pelo povo mexicano. Uma memória viva, carregada de significados variados e até mesmo contraditórios entre si, que reforçam e evidenciam a importância e atualidade da experiência da Revolução Mexicana.
Mujica e a crise brasileira: 'É tempo de lutar, não de encontrar em quem colocar a culpa'
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| Foto: Midia Ninja |
Em São Paulo, o ex-presidente e senador do Uruguai José 'Pepe' Mujica conversou por quase duas horas na manhã desta quarta-feira (27/04) com jornalistas da imprensa independente brasileira em São Paulo, abordando temas como a crise política brasileira, a integração regional e o papel da esquerda nas disputas sociais atuais.
Para Mujica, a situação atual do Brasil, que se relaciona à crise da esquerda e ao avanço da direita na região, deve forjar a união entre as forças progressistas. “Agora é tempo de lutar e não de encontrar em quem colocar a culpa. As organizações de esquerda se destroem. Há que fazer autocrítica, mas à distância no tempo, não no quente da situação. Agora é preciso lutar”.
Obama e Rolling Stones na nova Cuba de Raul Castro
Dois fatos distintos abriram e encerraram uma semana histórica e carregada de simbolismos para Cuba: o presidente norte-americano Barack Obama realizou uma inédita visita diplomática oficial a Havana e a banda de rock Rolling Stones, pela primeira vez se apresenta na ilha e fez um show gratuito na capital cubana para uma multidão de mais de meio milhão de pessoas.
José Martí: um pouco sobre sua vida e legado
¿Qué me im
porta que tu puñal
Se me clave en el riñon?
Tengo mis versos,
Que son más fuertes que tu puñal!
¿Qué me importa que ese dolor
Seque el mar, y nuble el cielo?
El verso, dulce consuelo,
Nace alado del dolor.
José Martí
José Martí ocupa
um lugar de destaque no imaginário popular de Cuba como um de seus
maiores heróis nacionais. Um dos personagens chaves no processo de
luta pela independência cubana frente ao império espanhol, ao longo
dos anos, sua figura transcendeu as fronteiras da ilha e passou a ser
reconhecido e servir de inspiração em toda a América Latina. A
sua trajetória e ideias explicam, em parte, o relevo e a importância
de Martí e ajudam a perceber melhor como seu legado segue sendo
atual e reivindicado nos dias de hoje. Nas linhas que se seguem, se buscará sintetizar um pouco desta sua biografia e ideias.
Os 10 anos de Evo Morales na presidência da Bolívia
Em 22 de janeiro de
2006 tomou posse o primeiro presidente indígena da América Latina.
Evo Morales iniciava neste dia oficialmente seu mandato como
presidente da Bolívia. Carregada de simbolismo, a vitória de Evo
foi saudada ao redor do mundo como um momento de consolidação do
ciclo de crescimento das esquerdas no continente. Dez anos depois, o
que se observa na Bolívia é um processo profundamente
transformador, que explica os motivos de suas três vitórias
eleitorais consecutivas, feito inédito na história boliviana.
O fascínio brasileiro por Pepe Mujica
O ex-presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica é hoje seguramente uma das lideranças mais populares da esquerda. Tanto por suas ações progressistas a frente do governo uruguaio quanto pela sua imagem pessoal projetada como figura ética e coerente acima da média. Talvez seja este último aspecto que nos ajude a entender a legião de fãs que Mujica angariou pelo mundo afora e no Brasil em particular.
Desde que deixou a presidência do Uruguai, sendo sucedido por Tabaré Vasquez (socialista e também integrante da Frente Ampla), o prestígio de Mujica não arrefeceu, pelo contrário. Todos os eventos em que o líder uruguaio esteve presente no país, desde então, geram grande mobilização e repercussão, consolidando a figura de Pepe Mujica como uma referência política para muitas pessoas no Brasil. A tal ponto que não seria exagero afirmar que hoje Mujica é uma das poucas pessoas com capacidade de unificar a quase totalidade da esquerda brasileira.
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