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| Cartum de Vítor Teixeira |
Na esteira dos acontecimentos envolvendo as investigações da chamada Operação Lava Jato, quando figuras de grande notoriedade política ou econômica do país passaram a ser alvos de investigações, e com muitos destes sendo detidos e mantidos atrás das grades, se produziu um considerável secto de apoiadores na população, em geral de perfil conservador, que passaram a cunhar o termo "República de Curitiba", trazendo consigo a ideia de que a normalidade das leis que regem o restante do país não teriam aplicabilidade nesta cidade. Curitiba seria a terra onde a "justiça" se faria valer, independentemente dos constrangimentos que a lei possa impor.
Apesar de caricatural, o termo "República de Curitiba" pode ser compreendido como certo espírito de corpo disseminado no grupo de funcionários e magistrados que estão diretamente envolvidos na Operação Lava Jato. Um efeito colateral, no entanto, se dissemina por todo o corpo jurídico paranaense, reivindicando para si a condição de República de Curitiba, ganha força e demonstra uma de suas faces menos visíveis. Tem se consolidado uma noção de que seus membros, estão acima de qualquer escrutínio ou fiscalização pública e aqueles que ousarem ultrapassar este limite, sofrerão as consequências. O direito a liberdade de imprensa passa a ser relativizado ou mesmo atacado em nome deste princípio. Um caso exemplar é a série de ações movidas por Magistrados do Paraná contra jornalistas da 'Gazeta do Povo' após reportagem sobre 'supersalários'.


