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A "República de Curitiba" contra a liberdade de imprensa

Cartum de Vítor Teixeira

Na esteira dos acontecimentos envolvendo as investigações da chamada Operação Lava Jato, quando figuras de grande notoriedade política ou econômica do país passaram a ser alvos de investigações, e com muitos destes sendo detidos e mantidos atrás das grades, se produziu um considerável secto de apoiadores na população, em geral de perfil conservador, que passaram a cunhar o termo "República de Curitiba", trazendo consigo a ideia de que a normalidade das leis que regem o restante do país não teriam aplicabilidade nesta cidade. Curitiba seria a terra onde a "justiça" se faria valer, independentemente dos constrangimentos que a lei possa impor.

Apesar de caricatural, o termo "República de Curitiba" pode ser compreendido como certo espírito de corpo disseminado no grupo de funcionários e magistrados que estão diretamente envolvidos na Operação Lava Jato. Um efeito colateral, no entanto, se dissemina por todo o corpo jurídico paranaense, reivindicando para si a condição de República de Curitiba, ganha força e demonstra uma de suas faces menos visíveis. Tem se consolidado uma noção de que seus membros, estão acima de qualquer escrutínio ou fiscalização pública e aqueles que ousarem ultrapassar este limite, sofrerão as consequências.  O direito a liberdade de imprensa passa a ser relativizado ou mesmo atacado em nome deste princípio. Um caso exemplar é a série de ações movidas por Magistrados do Paraná contra jornalistas da 'Gazeta do Povo' após reportagem sobre 'supersalários'.

O impeachment que não quer ser golpe ou Em busca da legitimidade perdida



Suprimir a democracia sempre provoca um grande desgaste para aqueles que promovem ou apoiam atos ilegítimos de ruptura democrática. A necessidade de legitimação social é indispensável para qualquer regime ou governo moderno que busque alguma continuidade, por isso a necessidade de não assumir abertamente a autoria de expedientes golpistas.

O processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff é um caso onde esta ausência de legitimidade é tão flagrante, que muitos dos conspiradores tentam, de todas as formas, produzir uma retórica que cubra com "tintas constitucionais" a legitimidade política perdida. Esta legitimidade ausente no impeachment e a difusão da percepção que a democracia brasileira, como um todo, encontra-se em sério risco, tem muitas razões, a mais evidente delas é o fato do processo estar sendo conduzido pelo deputado Eduardo Cunha. Notório corrupto, nunca disfarçou suas motivações em levar a cabo o processo contra presidenta, a despeito da inexistência de acusações de crimes contra Dilma.

Contra o golpismo, boicote a produto de anunciantes da Globo



Lentamente e de forma desorganizada, começa a surgir um movimento cidadão de boicote a produto de anunciantes da Globo, como forma de protesto contra o golpismo. O momento em que esta "campanha" começou a ganhar uma primeira repercussão ampliada se deu durante a passagem dos 52 anos do golpe de 1964. O peso desta trágica memória não é fortuita, o golpe foi consumado pelos militares, mas contou com amplo apoio das empresas de comunicação da Família Marinho. Apoio este que a própria Globo reconheceu a pouco tempo, através de um editorial em que reconhecia o "equívoco" (sic) deste apoio em um maroto mea culpa que a poucos convenceu.

Em um momento onde o Brasil volta a ser ameaçado por movimentos organizados em torno do rompimento do sistema democrático através de um golpe para depor a Presidenta Dilma Rousseff, ações cidadãs podem funcionar como importantes elementos de contra-ofensiva. A força de seu domínio da audiência brasileira sempre beneficiou a Rede Globo com fartos contratos de publicidade. Um ataque ao "bolso" da emissora, através de um movimento que afaste os anunciantes frente as reações populares contra a Globo pode gerar um considerável impacto. Mesmo que inicialmente pouco massivo, sua disseminação pode ser irrefreável.