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Venezuela: Leituras urgentes desde o Sul
O livro Venezuela: Leituras urgentes desde o Sul é um significativo esforço, empreendido por diversos renomados acadêmicos identificados com a esquerda na América Latina para um esforço de síntese sobre atual crise aguda que enfrenta a Revolução bolivariana sob comando de Nicolás Maduro.
500 anos da Utopia de Thomas Morus
Quando em 1516 o inglês Thomas Morus publicou Utopia, descrevendo a ilha-reino imaginária de mesmo nome — aquela que seria “a melhor das Repúblicas” — logo obteve sucesso de público. Para batizar esta sociedade, criou uma nova palavra, o neologismo “ou-topia”, articulando as palavras gregas “où”, não, e “tópos”, lugar, o não lugar ou o lugar feliz, graças à sua dupla etimologia. Com o transcorrer do tempo, convertida em clássico, a obra tornou-se muito mais que “apenas” uma importante peça literária, mas um marco fundacional para o pensamento político e filosófico ocidental.
História Geral da África
A coleção História Geral da África é uma belíssima fonte de estudos sobre a história do continente africano, uma rica fonte de dados e análise de indispensável leitura.
Em 1964, a UNESCO dava início a uma tarefa sem precedentes: contar a história da África a partir da perspectiva dos próprios africanos. Mostrar ao mundo, por exemplo, que diversas técnicas e tecnologias hoje utilizadas são originárias do continente, bem como provar que a região era constituída por sociedades organizadas, e não por tribos, como se costuma pensar.
Historiadores pela Democracia: o Golpe de 2016 e a Força do Passado
O livro Historiadores pela democracia: o golpe de 2016 e a força do passado é um obra que consegue combinar, de uma só vez, a função social do ofício do historiador com o desafio da escrita de uma história imediata. Tarefa longe de ser fácil, mas que nestes tempos em que vivemos, ela é mais do que necessária.
O centro político do livro parte de uma denúncia grave: o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff põe democracia brasileira em risco. Seus efeitos regressivos já podem ser sentidos e mais do que uma ameça, passa a ser uma realidade a ser enfrentada.
O 'tudo é criticável, mas nada é mutável' que impera no mundo atual
Em tempos de hegemonia neoliberal, o conformismo paralisante funciona como uma regra dominante. A crítica e algum nível de revolta é até permitido, desde que não ultrapasse certos limites implicitamente impostos. O maior destes limites é a própria lógica do capital, tida como eterna e impossível de ser enfrentada. Para se superar as lógicas capitalistas é preciso enfrentar a crença de que tudo merece crítica – mas não vale a pena engajar-se, porque nada mudará.
Golpe no Brasil: Genealogia de uma farsa
Como o Brasil chegou uma situação onde um golpe contra democracia pôde ser efetuado e parcialmente exitôso? Mais do que isso, quais são as perspectivas políticas que se abrem a partir desta situação no país? O golpe em curso no Brasil se construiu a partir de um ardil farsesco para destituir uma presidenta legitimada pelo voto democrático. Para enfrentar esta situação, compreender a genealogia desta farsa é uma tarefa imprescindível.
Para auxiliar neste esforço, o Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO) em parceria com a Octubre Editorial lançou o livro Golpe en Brasil: Genealogia de una farsa, um importante lançamento que reuni uma série de textos escritos entre abril e junho de 2016, durante o período em que se deu o inicio do processo de destituinte da presidenta Dilma Rousseff.
Democracia e Capitalismo: divórcio definitivo
Democracia e Capitalismo caminham para um divórcio definitivo. A forma como os processos decisórios fundamentais são paulatinamente retirados do Estado, têm reduzido a influência do povo nas decisões e fragilizado profundamente as instituições democráticas. Este é um processo que em maior ou menor medida tem se espalhado de forma quase irrefreável ao redor do mundo.
Muitos analistas, em diferentes áreas do conhecimento, tem desenvolvido elementos consistentes que apontam para um processo onde a democracia passa a ser um elemento secundário, se não até mesmo indesejável na atual fase do capitalismo. Um dos bons trabalhos que ilustram esta dinâmica é do sociólogo alemão Wolfgang Streeck em seu livro "Hora de comprar - A crise atrasada do capitalismo democrático", ainda inédito no Brasil. Nele Streeck expõe alguns dos mecanismos que permitiram à aristocracia financeira controlar o Estado e a mídia. Qual a saída possível? Assumir esta separação e pensar numa política livre do capital.
Muitos analistas, em diferentes áreas do conhecimento, tem desenvolvido elementos consistentes que apontam para um processo onde a democracia passa a ser um elemento secundário, se não até mesmo indesejável na atual fase do capitalismo. Um dos bons trabalhos que ilustram esta dinâmica é do sociólogo alemão Wolfgang Streeck em seu livro "Hora de comprar - A crise atrasada do capitalismo democrático", ainda inédito no Brasil. Nele Streeck expõe alguns dos mecanismos que permitiram à aristocracia financeira controlar o Estado e a mídia. Qual a saída possível? Assumir esta separação e pensar numa política livre do capital.
O crocodilo de Dostoiévski
Em meio a colossal obra do escritor russo Fiódor Dostoiévski, marcada por um realismo cáustico, onde questões existenciais são acompanhadas por uma aguda crítica da realidade social, um de seus contos escapa destas suas marcas, representando um "ponto fora da curva" em sua obra (perdão pelo uso deste jargão batido). Trata-se de O Crocodilo, escrito em 1864, onde o autor explora dois gêneros pouco desenvolvidos em sua obra: a comédia e o realismo fantástico.
A história se inicia em uma sofisticada galeria de lojas em São Petersburgo, onde o funcionário público Ivan Matviéitch é engolido vivo por um imenso crocodilo exposto à visitação. A partir deste acontecimento insólito, Dostoiévski inicia um de seus melhores e mais peculiares contos, que soube ainda magistralmente aliar uma fina critica social, através de sua sutil satirização do capitalismo.
Aventuras no Marxismo de Marshall Berman

O escritor e filósofo estadunidense Marshall Berman (1940 - 2013) figura na lista de meus autores prediletos. Conhecido mundialmente pela sua obra Tudo que é sólido desmancha no ar um ensaio de crítico de fôlego sobre a história da vida moderna, que inclui da poesia de Baudelaire ao Manifesto Comunista de Marx e Engels, do Fausto de Goethe, as vanguardas artísticas do século XX até as reformas urbanas de Nova York ao longo do século XX. A modernidade emerge como um processo globalizante e totalizante, cujo sentido é a subordinação da vida cotidiana ao impulso homogeneizante do valor de troca.
Uma outra obra sua que foi publicada no Brasil é Aventuras no Marxismo. Uma coletânea que reúne treze textos escritos que percorrem um período de trinta anos da produção intelectual de Berman e traz um amplo leque de reflexões a partir de alguns intelectuais que, a exemplo do autor, dedicaram-se a interpretar os caminhos e descaminhos da modernidade.
O amor impiedoso de Slavoj Žižek
Falar sobre "Amor" parece um tema, uma premissa, pouco afeita a uma problematização que extrapole o subjetivo, quando não caindo no campo do piegas. Por outro lado, a partir do amor, pode-se chegar a uma dimensão indissociável do próprio ato de amar: a crença. Como amar sem crer no que se ama?
O filósofo esloveno Slavoj Žižek em seu livro O amor impiedoso (ou: Sobre a crença), lançado no Brasil pela Autêntica Editora, analisa esta relação da crença em nossa sociedade. Publicado simultaneamente na Alemanha e na Inglaterra como Die gnadenlose Liebe (O amor impiedoso) e como On belief (Sobre a crença), respectivamente, é uma instigante abordagem sobre os mecanismos do credo e sua força.
O pensamento de Che Guevara
Como muitas pessoas, quando comecei a despertar politicamente, uma figura que surgia como uma referência incontornável: Ernesto Che Guevara. Personagem icônico da esquerda latino-americana e mundial, sua imagem evoca a rebeldia e o inconformismo revolucionário para aqueles e aquelas que não aceitam passivamente o mundo com toda a suas injustiças. Para mim, naquele momento, Che representava precisamente isso: um símbolo. Forjado pela sua trajetória de vida, pelos seus exemplos práticos.
O Manifesto Comunista em mangá
O Manifesto do Partido Comunista, escrito por por Karl Marx e Friedrich Engels em 1848 é um dos mais importantes escritos políticos de todos os tempos. Poucos textos causaram tanto impacto após seu lançamento e segue até hoje suscitando debates ao redor do mundo. Um texto com tamanha história e repercussão que ganhou inúmeras versões, lançadas em praticamente todos os idiomas escritos do planeta, feito notável e reservado para poucas obras. Versões livremente inspiradas nos escritos de Marx e Engels não faltaram ao longo dos anos, sendo de uma diversidade que atestam sua influência e alcance. Inclusive ganhando uma inusitada versão em mangá.
Violência de Slavoj Žižek
O filosofo esloveno Slavoj Žižek está longe de ser uma unanimidade, assim como sua reconhecida popularidade. Em seu pensamento radical, onde sua crítica ao capitalismo se utiliza principalmente da filosofia marxista hegeliana e da psicanálise lacaniana, busca escrutinar as contradições do sistema para além do aparente. A sua peculiar escrita, onde anedotas e passagens de filmes Hollywoodianos são largamente utilizados para ilustrar suas ideias, compõem um raciocínio original que muitas vezes não se apresenta de forma linear ou evidente. Emoldurado em momentos de brilhantismo, com afirmações polêmicas e polissêmicas (e até mesmo errôneas), ler a Žižek é sempre desafiador.
No livro Violência – seis reflexões laterais, publicado pela editora Boitempo, Žižek aborda a questão de como a violência, para além de suas manifestações socialmente condenadas, é parte estrutural do próprio sistema capitalista. Recordando a George Orwell quando este afirma que “As pessoas dormem tranquilamente à noite porque existe homens brutos dispostos a praticar violência em seu nome”, o autor desenvolve uma análise que busca compreender o fenômeno da violência para além de suas manifestações ostensíveis.
O Casaco de Marx
Certa vez, olhando despretensiosamente as prateleiras de uma insuspeita livraria, me deparei com um pequeno livro que prontamente me chamou a atenção, era O Casaco de Marx – roupas, memórias, dor escrito por Peter Stallybrass. Quando encontrei este livro, nunca havia lido ou escutado nenhuma referência a seu respeito e muito menos do autor, mesmo assim resolvi me aventurar em suas páginas. Marx é um daqueles autores cuja obra e vida foram tantas vezes escritas e comentadas que muitas vezes temos a impressão que nada de novo pode ser dito a seu respeito. Stallybrass prova o contrário com esta pequena grande obra, cuja leitura rapidamente nos prende e cativa pela qualidade da narrativa e sua consistência teórica.
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