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Venezuela: Leituras urgentes desde o Sul
O livro Venezuela: Leituras urgentes desde o Sul é um significativo esforço, empreendido por diversos renomados acadêmicos identificados com a esquerda na América Latina para um esforço de síntese sobre atual crise aguda que enfrenta a Revolução bolivariana sob comando de Nicolás Maduro.
2016 e o golpismo no Brasil e na Venezuela
No ano de 2016, houve duas tentativas declaradas de golpe na América Latina: uma no Brasil e outra na Venezuela.
Ambas surgiram como fruto de processos políticos que desenrolam-se já há alguns anos, não frutos de excepcionalidades que abateram-se de forma inesperada neste ano. Não apenas por dinâmicas locais, ainda que estas sejam importantes para entender o desfecho destinto de cada país, a crise econômica foi um fator importante para alimentar as forças golpistas de cada país. Apoios externos houveram, com importância ainda não mensurável, pela ausência de informações.
No caso brasileiro, não só o golpe teve sucesso como o país caminha de forma acelerada para uma verdadeira tragédia social. A agenda de supressão de direitos e de redução do Estado irá provocar regressões de todo o tipo, isto somado ao arbítrio e o caos orquestrado pelas elites promotoras do golpe, prometem levar o país a uma instabilidade aguda, de imprevisível desenrolar.
Na Venezuela, o golpe foi por hora frustrado, mas a situação social do país está longe de ser animadora. Ainda assim, a manutenção do poder presidencial com Maduro pode permitir uma melhor condição de recuperação no médio prazo, ainda que em bases instáveis.
Crise e descaminhos no Mercosul
O ano de 2016 parece marcar o início de um ponto de virada nos rumos da integração sul-americana. O Mercosul, principal espaço institucional e de integração econômica na região, que vinha trilhando nos últimos anos uma rota de ampliação de sua área de influência e de busca de uma integração local efetiva, apresenta fortes sinais de que poderá rumar para um estágio regressivo que desvirtuará as potencialidades que uma possível integração soberana vislumbrava.
A ascensão de Macri na Argentina e de Temer no Brasil e as primeiras medidas que suas diplomacias têm executado com relação ao Mercosul, apontam para uma busca obstinada em reorientar o processo de integração que vinha sendo construído nos últimos anos. O fato mais notável é a movimentação que os dois países, aliados ao Paraguai, protagonizam para impedir que a Venezuela assuma a presidência temporária do bloco, como previsto pelas regras do Mercosul, provocando uma crise diplomática de grandes proporções.
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Todos contra Nicolás Maduro
O agravamento das crises políticas e econômica na Venezuela tem ganhado os olhares apreensivos ao redor do mundo. A expectativa de qual será o caminho possível para o conturbado cenário atual tem muitas vezes apontado para análises apressadas e muitas vezes enviesadas, onde se observa uma verdadeira campanha internacional tendo por alvo único ao presidente Nicolás Maduro.
Explicita ou implicitamente, busca-se consolidar uma ideia de que a solução para todos os impasses passaria pela queda de Maduro da presidência venezuelana. Este tipo de expediente já foi largamente utilizado ao longo de todo o período que Hugo Chávez esteve à frente da Revolução Bolivariana. Agora soma-se um peculiar exercício retórico que aponta que Maduro não teria as mesmas qualidades de liderança que seu antecessor. Curiosamente, são praticamente as mesmas vozes que, assim como antes pediam a saída de Chávez, agora pedem a saída do presidente Maduro.
A derrota bolivariana nas eleições da Venezuela
O ano de 2015 se
encerra com um grande revés para a esquerda venezuelana. As eleições
legislativas realizadas em 05 de dezembro mudaram o cenário político,
dando uma inédita maioria para a oposição. O futuro do
bolivarianismo se apresenta ameaçado.
A conjuntura adversa
que vinha se aprofundando no último período mudou o caráter desta
eleição. Não se tratou de uma simples disputa pelos 167 assentos da Câmara, mas ganhou um caráter quase que
“presidencial”, dada a importância que adquiriram tanto para o
chavismo, quanto para a direita.
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