O roteiro já vinha sendo anunciado pelo governo e demais setores aliados, mas muitos ainda acreditavam que ele poderia ser alterado, face a crescente mobilização social e a denúncia dos efeitos regressivos que a PEC 55 - chamada como PEC do Teto - provocará para o futuro país. Indiferentes a qualquer clamor social, o Senado aprovou em primeiro turno, por 61 votos a 14, a PEC do Teto.
A proposta, que institui o "Novo Regime Fiscal", foi apresentada em junho pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e se for aprovada ainda este ano como pretende o governo, terá tramitado em tempo recorde no Congresso, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). A ausência de qualquer pressuposto democrático de discussão envolvendo o projeto, tem sido a tônica.
O caráter antipopular dos atuais mandatários do poder se
sobressai, amparada a partir de uma percepção de que estariam imunes e blindados a
qualquer crítica, por contarem com o apoio majoritário do capital
financeiro e da mídia empresarial.
Muito simbólico disso o fato do Congresso votar uma medida de 20 anos de cortes nos investimentos públicos em um dia de luto nacional pela tragédia envolvendo a equipe de futebol da Chapecoense, e ainda manterem a votação isolados por bombas e aparato militar.
29 de novembro já fica marcado como mais um dia de vergonha nacional envolvendo o Senado Federal.