Super-Lenin


Eu curti este Super-Lenin! 😁

ps: não sei quem foi o criador e nem em qual contexto, se alguém tiver alguma informação ficarei grato!

100 anos da Revolução Russa: algumas breves notas sobre o legado de Lenin


Nesta passagem dos 100 anos da Revolução Russa, me desafiei a tentar revisitar Lenin e buscar identificar aspectos que possam ser resgatados nesta atual quadra da história.
O legado de Lenin neste século XXI ainda está por ser construído e desvendado. Muito de seu velho apelo, de forma incontornável, se perdeu ou se transformou. Para o bem ou para o mal, os sentidos da obra de Lenin e da própria Revolução Russa, neste século XXI, serão muito diversos daqueles que se sucederam ao longo do século XX.
A leitura de Lenin é árida, sem atalhos fáceis e encoberto por uma penumbra mitificadora de aparência quase impenetrável. De um lado o esquematismo do "marxismo-leninismo" soviético e por outro, as simplificações detratoras da acadêmia ocidental ou russa pós-soviética, sejam em suas leituras liberais ou conservadoras, tornam difícil ler Lenin sem mediações e distorções de naturezas variadas.
Ainda que com um caráter provisório, estas minhas modestas releituras de Lenin confirmaram algumas intuições. O pensamento de Lenin e sua faceta como elaborador teórico conservam aspectos fascinantes. A interpretação de Lenin sobre o imperialismo, por exemplo, em suas coordenadas básicas, seguem vigentes.
O comunista italiano Antonio Gramsci afirmava que Lenin, depois de Marx e Engles, foi o maior filósofo da Práxis. Os seus apontamentos filosóficos, efetivamente, aprofundaram dimensões que apenas se insinuavam no marxismo clássico.

A elaboração por Lenin da dialética materialista como método de análise da sociedade capitalista rompeu com os paradigmas dominantes no marxismo europeu da IIº Internacional. Uma inovação teórica que, em termos da história das ideias marxistas, não pode ser menosprezada em seu alcance.

Por outro lado, ainda neste campo, Lenin conservou ou revigorou aspectos do hegelianismo que o Marx maduro já havia superado. Estas reminiscências permitiram que certo determinismo histórico, de matriz hegeliana, seguissem vivos no pensamento do líder bolchevique. Certamente pesou aqui o fato de Lenin não ter tido acesso alguns dos principais textos de Marx onde esta superação do hegelianismo se demonstrava. Muitos destes textos de Marx, como os Grundrisse, permaneceram inéditos para o grande público por muito tempo e foram publicados apenas décadas após o falecimento do revolucionário russo.
Teríamos ainda inúmeros outros aspectos a serem apontados, em particular suas leituras sobre a ação política que, em tempos pós-democráticos, podem conter elementos de renovada atualidade para a resistência popular.
Pretendo, assim que me sobrar um tempinho, sistematizar estas leituras, pois acredito ser necessário um contínuo e coletivo debate sobre o pensamento de Lenin. Sem mitificações ou distorções, Lenin pode ainda fornecer questões chaves para a esquerda no século XXI e que nesta passagem do centenário da vitória bolchevique nos convidam e desafiam a esta empreitada.


Sobre o silêncio nas ruas brasileiras


A agenda do golpe segue implacável. Com a banalização quase diária de escândalos do já decrépito governo Temer, a retirada de direitos da população segue sendo sua única tábua de salvação. O apoio dos grandes detentores de capital a chamada agenda de "reformas", no entanto, não é o suficiente para garantir ou explicar a continuidade do governo.

Neste cenário, onde todos os setores populares, de uma forma ou de outra , está sendo vitima direta desta agenda, a atual letargia dominante no Brasil não deixa de causar espanto. Muitos se perguntam, como as pessoas ainda não se revoltaram? Como o país ainda não está em chamas?

O capitalismo brasileiro representado em uma foto



Os "seguranças" no casamento da filha do Ministro da Saúde, a deputada estadual pelo Paraná, Maria Victoria.
Foto histórica de Lineu Filho.

Vozes dos muros


Mural desenhado por Banksy em uma comunidade zapatista, no sul do México.

Venezuela: Leituras urgentes desde o Sul


O livro Venezuela: Leituras urgentes desde o Sul é um significativo esforço, empreendido por diversos renomados acadêmicos identificados com a esquerda na América Latina  para um esforço de síntese sobre  atual crise aguda que enfrenta a Revolução bolivariana sob comando de Nicolás Maduro.

Em 1964, trabalhadores pedem armas para defender a democracia


Na antevéspera do golpe de 1º de abril de 1964, em comício em defesa das reformas de base, trabalhadores metalúrgicos pedem armas para impedir o golpe.

Eles pressentiam  o desfecho trágico da crise no governo do presidente João Goulart e tentavam bradar por uma resistência armada em defesa da democracia.

Não foram atendidos em seus clamores e o golpe se deu sem resistência armada.

A esquerda, a crise e as Diretas Já!



Após a formidável unidade construída e demonstrada na Greve Geral de abril e na grande mobilização do “Ocupa Brasília” no 24 de maio, na velocidade da conjuntura brasileira atual, a frágil e instável unidade da esquerda encontra-se na encruzilhada sobre as saídas para a crise envolvendo o presidente em queda Michel Temer.

Sem dúvida, os pontos de unidade da esquerda já existentes, deem servir de estímulo e caminho para a esquerda evitar uma fragmentação ainda maior de seu campo, a exemplo do que ocorre neste momento entre as forças que promoveram o golpe que conduziu Temer ao poder.

8 de março: em busca da memória perdida





8 de março, dia Internacional da Mulher. Muitos mitos e distorções se construíram ao longo dos mais de 100 anos em que esta data é marcada para registrar a luta das mulheres por igualdade ao redor do mundo. Mas em momentos como este se faz fundamental que se resgate e se recupere o sentido das coisas, ainda mais quando ocorrem processos de mitificação que visam desviar o sentido original de determinados processos. Com o 8 de março ocorre exatamente isso. O mercado, sempre atento a possibilidade de maiores lucros, tenta (e muitas vezes com sucesso), converter esta data em mais um momento de ampliar negócios e com isso, colabora na tentativa de apagar o sentido de luta que envolve a data.


500 anos da Utopia de Thomas Morus



Quando em 1516 o inglês Thomas Morus publicou Utopia, descrevendo a ilha-reino imaginária de mesmo nome — aquela que seria “a melhor das Repúblicas” — logo obteve sucesso de público. Para batizar esta sociedade, criou uma nova palavra, o neologismo “ou-topia”, articulando as palavras gregas “où”, não, e “tópos”, lugar, o não lugar ou o lugar feliz, graças à sua dupla etimologia. Com o transcorrer do tempo, convertida em clássico, a obra tornou-se muito mais que “apenas” uma importante peça literária, mas um marco fundacional para o pensamento político e filosófico ocidental.

2016 e o golpismo no Brasil e na Venezuela


No ano de 2016, houve duas tentativas declaradas de golpe na América Latina: uma no Brasil e outra na Venezuela.

Ambas surgiram como fruto de processos políticos que desenrolam-se já há alguns anos, não frutos de excepcionalidades que abateram-se de forma inesperada neste ano. Não apenas por dinâmicas locais, ainda que estas sejam importantes para entender o desfecho destinto de cada país, a crise econômica foi um fator importante para alimentar as forças golpistas de cada país. Apoios externos houveram, com importância ainda não mensurável, pela ausência de informações.

No caso brasileiro, não só o golpe teve sucesso como o país caminha de forma acelerada para uma verdadeira tragédia social. A agenda de supressão de direitos e de redução do Estado irá provocar regressões de todo o tipo, isto somado ao arbítrio e o caos orquestrado pelas elites promotoras do golpe, prometem levar o país a uma instabilidade aguda, de imprevisível desenrolar.

Na Venezuela, o golpe foi por hora frustrado, mas a situação social do país está longe de ser animadora. Ainda assim, a manutenção do poder presidencial com Maduro pode permitir uma melhor condição de recuperação no médio prazo, ainda que em bases instáveis.

Natal no capitalismo tardio


¡Hasta la victoria siempre!


Retrato de Fidel Castro, 1961 - Oswaldo Guayasamin

Senado aprova PEC do teto em mais um dia de vergonha nacional


O roteiro já vinha sendo anunciado pelo governo e demais setores aliados, mas muitos ainda acreditavam que ele poderia ser alterado, face a crescente mobilização social e a denúncia dos efeitos regressivos que a PEC 55 - chamada como PEC do Teto - provocará para o futuro país. Indiferentes a qualquer clamor social, o Senado aprovou em primeiro turno, por 61 votos a 14, a PEC do Teto.

A proposta, que institui o "Novo Regime Fiscal", foi apresentada em junho pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e se for aprovada ainda este ano como pretende o governo, terá tramitado em tempo recorde no Congresso, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). A ausência de qualquer pressuposto democrático de discussão envolvendo o projeto, tem sido a tônica.


O caráter antipopular dos atuais mandatários do poder se sobressai, amparada a partir de uma percepção de que estariam imunes e blindados a qualquer crítica, por contarem com o apoio majoritário do capital financeiro e da mídia empresarial.

Muito simbólico disso o fato do Congresso votar uma medida de 20 anos de cortes nos investimentos públicos em um dia de luto nacional pela tragédia envolvendo a equipe de futebol da Chapecoense, e ainda manterem a votação isolados por bombas e aparato militar.

29 de novembro já fica marcado como mais um dia de vergonha nacional envolvendo o Senado Federal.

Fidel: Uma história que não pode ser escrita com palavras



Por João Pedro Stedile

Perdemos Fidel. Ganhamos uma história de exemplos e de sabedoria.

A história de Fidel é indescritível, não podemos descrever apenas com palavras. Então gostaria apenas de dar um testemunho.

Ele usou toda sua sabedoria, conhecimentos, liderança e dedicação para construir, ao longo de 60 anos, um povo unido e organizado, que se transformou imbatível, enfrentando as forças econômicas e militares mais poderosas do século 20: o capital dos Estados Unidos.

Fidel Castro: a morte de um não-alinhado



"Hoje partiu o homem que protagonizou a revolução mais ousada e corajosa da história americana. 

Filho de um dos três dos maiores proprietários de terras em Cuba e estudante de Havard, este homem poderia ter compactuado com o cassino para turistas milionários estadunidenses que Cuba, sob o comando do ditador Fulgêncio Batista, transformara-se. 

Cuba foi o único país latino-americano a compor o Movimento dos Não-alinhados, liderando o discurso terceiro-mundista e projetando globalmente uma pequena ilha como resistência à mudança do império europeu para o estadunidense. 

Para os defensores da intervenção militar no Brasil


Dandara: símbolo da resistência das mulheres no Quilombo dos Palmares




O Quilombo dos Palmares é um dos símbolos maiores da resistência negra contra a escravidão no Brasil colonial. Em seu tempo, foi o maior foco de resistência contra a escravidão em todas as Américas. A memória do quilombo traz a tona a imagem de seu líder, Zumbi dos Palmares, que lutou até o fim de sua vida pela liberdade, perdendo a própria vida nesta batalha contra o colonialismo português.

Se o herói de Palmares hoje é celebrado com o Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, data em que Zumbi teve a cabeça degolada num golpe à resistência negra, um ano e nove meses já teriam transcorrido da morte igualmente trágica da face feminina do Quilombo de Palmares, Dandara. A história desta figura que é apontada como sua mulher permanece cercada de muitas incertezas, com escassos registros historiográficos.

A Proclamação da República Brasileira Sem Povo



15 de novembro é o feriado nacional que registra a proclamação da República no Brasil.
A data é simbólica por marcar o dia em que um levante político-militar, ocorrido em 1889, derrubou a monarquia e instaurou um regime de inspiração republicana.
A proclamação pode ser compreendida como um ato de força, um golpe que rompia com a normalidade até então vigente. Os fatos ocorridos naquele 15 de novembro de 1889 são sintomáticos do modelo político que se perpetuaria no Brasil.

Um pequeno grupo de militares, acompanhados por alguns civis, na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, liderados pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assume o poder no país.

Naomi Klein: Como se colocou Donald Trump no poder


Por Naomi Klein

Eles irão culpar, pelo derrota de Hillary Clinton, o FBI e seu chefe, James Comey [que reabriu o caso sobre os emails possivelmente criminosos da candidata]. Vão culpar a supressão de eleitores e o racismo. Vão por a culpa na atitude Bernie or bust (ou Bernie Sanders ou nada) e na misoginia. Vão apontar para candidatos independentes e terceiros: a mídia corporativa, por dar a Trump uma tribuna; a mídia social por ser um megafone; e o WikiLeaks por expor a roupa suja em público.

Mas estas avaliações deixam de fora o maior responsável por criar o pesadelo em que agora nos encontramos: o neoliberalismo. Essa visão de mundo – totalmente incorporada por Hillary Clinton e sua máquina – não é páreo para o estilo extremista de Trump. O fato de a disputa ter colocado um contra o outro é o que selou nossa sorte. Se não aprendermos mais nada, podemos por favor aprender com esse erro?