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Wallerstein e o desafio das esquerdas: deter a virada à direita



O momento atual é de grandes adversidades, com o mundo todo sofrendo as consequências de uma crise generalizada, longe ainda de seu fim. Pior do que isso, as alternativas que se apresentam com maior vigor podem ser ainda mais nocivas para a já frágil situação política que nos encontramos. As forças de esquerda não têm conseguido apresentar-se como uma alternativa vigorosa frente aos descaminhos que estão postos e frear o notável crescimento da direita.

Um dos aspectos preocupantes é a associações entre o conservadorismo e a extrema-direita com as grandes corporações e o capital financeiro. Os destinos do mundo tendem a ser ainda mais impermeáveis a democracia e a participação cidadã. Recuperar ou colocar os destinos da humanidade nas mãos da maioria da própria população é um desafio posto.

Este é o debate que deve estar no centro das esquerdas neste momento. Immanuel Wallerstein aponta em artigo, algumas importantes pistas para a reflexão das alternativas possíveis. A crise do capitalismo produz pobreza e dissidências ultraconservadoras, é um fato. Para vencê-las, central não é o poder de Estado, mas multiplicar nova organização a partir da base.


Crise e descaminhos no Mercosul


O ano de 2016 parece marcar o início de um ponto de virada nos rumos da integração sul-americana. O Mercosul, principal espaço institucional e de integração econômica na região, que vinha trilhando nos últimos anos uma rota de ampliação de sua área de influência e de busca de uma integração local efetiva,  apresenta fortes sinais de que poderá rumar para um estágio regressivo que desvirtuará as potencialidades que uma possível integração soberana vislumbrava.

A ascensão de Macri na Argentina e de Temer no Brasil e as primeiras medidas que suas diplomacias têm executado com relação ao Mercosul, apontam para uma busca obstinada em reorientar o processo de integração que vinha sendo construído nos últimos anos. O fato mais notável é a movimentação que os dois países, aliados ao Paraguai, protagonizam para impedir que a Venezuela assuma a presidência temporária do bloco, como previsto pelas regras do Mercosul, provocando uma crise diplomática de grandes proporções.


2015: lembranças de um ano ruim (que não terminou)


Foto de Beata Czyzowska Young


O ano de 2015 não deixará saudades, pelo menos para a imensa maioria dos viventes. Nosso mundo segue um lugar violento, desigual e marcado por uma irracionalidade estrutural travestida de discurso racional. Não é um fenômeno novo, mas sua persistência inabalável espanta, mesmo que fissuras existam e a resistência, ainda que enfraquecida, jamais tenha deixado de ocorrer.

Para nós brasileiros foi um ano especialmente ruim, tão ruim que por vezes temos dificuldades de perceber alguns dos contornos principais do que está acontecendo no mundo que nos cerca.