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Crise e descaminhos no Mercosul


O ano de 2016 parece marcar o início de um ponto de virada nos rumos da integração sul-americana. O Mercosul, principal espaço institucional e de integração econômica na região, que vinha trilhando nos últimos anos uma rota de ampliação de sua área de influência e de busca de uma integração local efetiva,  apresenta fortes sinais de que poderá rumar para um estágio regressivo que desvirtuará as potencialidades que uma possível integração soberana vislumbrava.

A ascensão de Macri na Argentina e de Temer no Brasil e as primeiras medidas que suas diplomacias têm executado com relação ao Mercosul, apontam para uma busca obstinada em reorientar o processo de integração que vinha sendo construído nos últimos anos. O fato mais notável é a movimentação que os dois países, aliados ao Paraguai, protagonizam para impedir que a Venezuela assuma a presidência temporária do bloco, como previsto pelas regras do Mercosul, provocando uma crise diplomática de grandes proporções.


Mujica e a crise brasileira: 'É tempo de lutar, não de encontrar em quem colocar a culpa'

Foto: Midia Ninja

Em São Paulo, o ex-presidente e senador do Uruguai José 'Pepe' Mujica conversou por quase duas horas na manhã desta quarta-feira (27/04) com jornalistas da imprensa independente brasileira em São Paulo, abordando temas como a crise política brasileira, a integração regional e o papel da esquerda nas disputas sociais atuais.

Para Mujica, a situação atual do Brasil, que se relaciona à crise da esquerda e ao avanço da direita na região, deve forjar a união entre as forças progressistas. “Agora é tempo de lutar e não de encontrar em quem colocar a culpa. As organizações de esquerda se destroem. Há que fazer autocrítica, mas à distância no tempo, não no quente da situação. Agora é preciso lutar”.

O fascínio brasileiro por Pepe Mujica


O ex-presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica é hoje seguramente uma das lideranças mais populares da esquerda. Tanto por suas ações progressistas a frente do governo uruguaio quanto pela sua imagem pessoal projetada como figura ética e coerente acima da média. Talvez seja este último aspecto que nos ajude a entender a legião de fãs que Mujica angariou pelo mundo afora e no Brasil em particular.

Desde que deixou a presidência do Uruguai, sendo sucedido por Tabaré Vasquez (socialista e também integrante da Frente Ampla), o prestígio de Mujica não arrefeceu, pelo contrário. Todos os eventos em que o líder uruguaio esteve presente no país, desde então, geram grande mobilização e repercussão, consolidando a figura de Pepe Mujica como uma referência política para muitas pessoas no Brasil. A tal ponto que não seria exagero afirmar que hoje Mujica é uma das poucas pessoas com capacidade de unificar a quase totalidade da esquerda brasileira.